Telegram versus WhatsApp: será que o Telegram é mais seguro?

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Diante de tantos escândalos envolvendo o vazamento de dados na internet – como o ocorrido na polêmica entre o Ministro Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, a questão da segurança online se tornou tema obrigatório a qualquer um que preze por sua privacidade na internet. E entre os mais diversos pontos abordados desse assunto, um tem ganhado destaque especial na imprensa nos últimos dias. Trata-se da inevitável comparação entre os dois aplicativos de troca de mensagem mais populares do momento: o Telegram e o WhatsApp. Afinal, qual dos dois é mais seguro? O que difere um do outro? Por que escolher qualquer um deles? 

Neste artigo, apresentamos as respostas desses e outros questionamentos. Para acesso rápido, basta clicar em um dos tópicos abaixo.

As mensagens secretas da Lava Jato no Telegram

O Telegram ganhou os holofotes nos últimos tempos ao estrelar o escândalo do vazamento de conversas sobre a Lava Jato entre o Ministro da Justiça, Sérgio Moro, e o Procurador da República Deltan Dallagnol. Sendo uma das investigações mais importantes da atualidade brasileira, a Lava Jato trouxe como resultados a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o impeachment da também ex-presidente Dilma Rousseff. 

Entre os tópicos das fatídicas conversas entre Moro e Dallagnol, segundo a publicação online The Intercept, estavam a autorização judicial da entrevista que Lula daria da prisão ao jornal Folha de S. Paulo e o possível vazamento de informações confidenciais da investigação da Lava Jato para a oposição do governo venezuelano. 

Os diálogos, que ocorreram em um grupo no Telegram a partir de agosto de 2017, revelaram a existência de uma articulação, movida por motivos expressamente políticos, por altos cargos da justiça brasileira. Exemplo claro disso foi a discussão quanto ao vazamento de dados comprometedores sobre o governo de Nicolás Maduro após esse ter destituído a procuradora-geral venezuelana Luisa Ortega Diaz, grande opositora do governo e aliada dos agentes da Lava Jato.

A série completa de artigos sobre o assunto pode ser encontrada no site do The Intercept.

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O Telegram foi hackeado?

Recentemente, muitas manchetes de notícia trouxeram que “o Telegram foi hackeado”. Mas, na verdade, essas alegações não possuem fundamento em nenhuma evidência concreta de comprometimento dos servidores ou dados de usuários do Telegram. O mais provável, de fato, é que o problema tenha sido o dispositivo de onde os vazamentos ocorreram, e não a plataforma usada. Abaixo você confere alguns exemplos do que poderia ter acontecido.

FERRAMENTA DE ACESSO REMOTO – Alguém poderia ter infectado o celular do Ministro Moro com uma Ferramenta Spyware de Acesso Remoto. Isso pode ocorrer por meio de phishing, como quando, por exemplo, um SMS malicioso é enviado ao aparelho da vítima, levando-a a clicar em um link que ativa o download do spyware. Outra possibilidade é que Moro ou os outros procuradores tenham usado códigos PIN fracos em seus dispositivos, permitindo que estranhos acessassem e copiassem facilmente as mensagens ou até mesmo instalassem um spyware de monitoramento remoto. Bastaria que um terceiro tivesse acesso físico ao dispositivo desprotegido e baixasse nele um cavalo de troia espião ou de acesso remoto.

TROCA DE SIM – Essa estratégia é geralmente usada por hackers em conluio com funcionários de operadoras de celulares, os quais têm acesso ao número da vítima em outro chip ou cartão SIM. 

Declarações do Telegram no Twitter: 

O que é o Telegram e como ele começou?

Embora o Telegram seja um dos serviços de mensagens instantâneas mais populares do mundo, ainda há muitos que não têm ideia do que seja a plataforma. E os que já ouviram falar dela, muito provavelmente a conhecem por sua reputação de ser segura e preservar a privacidade de seus usuários. Essa fama, contudo, vem com alguns pressupostos interessantes. Afinal, se o Telegram é conhecido por ser seguro, o que isso diz sobre os seus concorrentes? Não são todos igualmente seguros?  Não é esse o objetivo da tão falada criptografia de ponta a ponta de gigantes como o WhatsApp e o Messenger do Facebook? Por que seria o Telegram tão especial?

O-que-é-o-Telegram-e-como-ele-começou

Para responder esses e outros questionamentos, vamos começar pelo básico. O Telegram é um aplicativo de trocas de mensagem gratuito que, como todo serviço do tipo, permite o envio não só de mensagens, como também de vídeos e outros arquivos. O seu criador, o russo Pavel Durov, é um programador que, nos tempos áureos, chegou a ser chamado de “Mark Zuckerberg da Rússia”. E o motivo disso é bem claro. Além do Telegram, Durov também foi responsável pela popularíssima rede social VKontakte, lançada em 2006 – período no qual tudo indicava que Moscou seria o paraíso da liberdade online.

Mas como nem tudo são flores, Durov logo se viu em confronto com o governo de Vladimir Putin e, diante disso, decidiu sair da Rússia, declarando-se exilado por conta própria. Ao se retirar do país, em 2014, o empresário vendeu a mais que bem sucedida VKontakte e saiu com cerca de 300 milhões de dólares no bolso. No exterior, ele então começou o Telegram, na esperança de oferecer um serviço de qualidade para quem estivesse preocupado com sua privacidade na internet. 

E, assim, o empreendedor russo percorreu o mundo com sua equipe de engenheiros, acabando por registrar a companhia em Londres e estabelecer suas operações em Dubai, com fundos quase exclusivamente de sua fortuna pessoal. 

Mas, apesar dos esforços contínuos de Durov, o alcance do Telegram ainda tem muito a crescer. Em março de 2018, o aplicativo registrou a marca de 200 milhões de usuários ativos mensais, o que, em comparação, equivalia a cerca de 13% dos números do WhatsApp. Seu maior sucesso parece ocorrer, ironicamente, durante a falha dos sistemas dos seus concorrentes diretos. Em março de 2019, por exemplo, dentro de 24 horas, 3 milhões de novos usuários entraram na plataforma quando as redes do WhatsApp, Messenger do Facebook e Instagram caíram. 

O Telegram é mais seguro que o WhatsApp?

Líder inconteste dos serviços de mensagens instantâneas, o WhatsApp tem como atributo mais impressionante sua enorme base de usuários. Adquirido em 2014 pelo Facebook, o aplicativo pouco a pouco foi perdendo sua simplicidade ao ganhar diversos recursos que o tornaram muito semelhante a plataformas como Facebook e Instagram. Embora muitos tenham aprovado as mudanças, não foram poucos os que viraram os olhos diante da descaracterização da função original do aplicativo. E foi aí que ganhou espaço outro grande serviço do tipo – o Telegram.

Com uma pegada mais simples e a possibilidade de uso em mais de um dispositivo, o Telegram se apresentou como uma alternativa muito interessante. Em especial por conta de seu conceito de “segurança em primeiro lugar” e os diversos recursos extras, como bots programáveis, que permitem ao usuário customizar a forma como se comunica com seus contatos.

No quesito segurança, o Telegram usa de duas camadas distintas de criptografia baseadas no Protocolo MT Pronto. Há criptografia servidor-cliente nas conversas em nuvem (privadas e em grupo), e conversas secretas possuem uma cama adicional de criptografia cliente-cliente. Todos os dados, independente do tipo, seguem o mesmo processo de criptografia, não importando se estão no formato de texto, mídia ou arquivo. O sistema é baseado em criptografia AES simétrica de 256 bits, RSA de 2048 bits e na troca de chaves de Diffie-Hellman. Já o WhatsApp, por sua vez, usa, desde 2016, criptografia de ponta a ponta em suas mensagens, chamadas e videochamadas. E como medida extra de segurança, ambos os aplicativos oferecem também autenticação de dois fatores.

Em linhas gerais, a verdade é que, para uma pessoa normal, usar o Telegram não vai necessariamente significar mais privacidade ou segurança do que se usasse o WhatsApp. De fato, a menos que ela use a opção das conversas secretas, o WhatsApp é tecnicamente a escolha mais segura. Mas, por outro lado, o Telegram tem uma vantagem adicional: o seu modelo de negócios, baseado em fundos privados e na primazia da proteção à privacidade, torna bastante improvável que a intimidade dos seus usuários seja violada. O mesmo não pode ser dito sobre o WhatsApp.

Monetização: Como o Telegram e o Whatsapp ganham dinheiro (e por que você deveria se importar com isso)

Escândalos como o do vazamento de dados do Facebook pela Cambridge Analytica, ou dos empregados da Amazon que escutavam as perguntas dos usuários do Alexa, levantaram as preocupações a respeito do quanto nossos dados pessoais são monitorados e divulgados. Se você se preocupa com essa questão e quer tomar conhecimento sobre como as empresas pretendem tratar suas informações, é imperativo que você leia atenciosamente as políticas de privacidade presentes em seus sites.

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Na página de Perguntas Frequentes do Telegram, a empresa se diz financiada pelo fundador e CEO Pavel Durov, sem arrecadar fundos com anúncios publicitários ou coleta e compartilhamento de dados. Na mesma página, a companhia também reafirma seu compromisso com a privacidade na internet, prometendo “proteger seus dados pessoais de terceiros, como profissionais de marketing, anunciantes, etc.”.

Em outras palavras, a maior diferença entre a plataforma e gigantes como o Facebook, Amazon, Google e outros, é que, embora esses últimos possam ter boas intenções com o uso de criptografia, autenticação e métodos de proteção de privacidade, eles estão todos afiliados a anunciantes e à realização de compartilhamento de dados, enquanto o Telegram, em essência, não.

Quais são os prós do Telegram?

A lista principal dos recursos do Telegram pode coincidir com a de outros aplicativos, mas existem diferenças específicas entre ele e seus concorrentes. Aqui estão as maiores diferenças.

Comunicação em massa

O Telegram permite que você se comunique com um número massivo de pessoas de uma só vez. As conversas em grupo na plataforma podem acomodar até 200 mil membros – número muito maior que o admitido no WhatsApp ou no iMessage. Outra função, chamada Canal, permite que mensagens sejam transmitidas para um número ilimitado de seguidores. Em canais públicos, a entrada é livre para qualquer usuário, já em canais privados, só são aceitos seguidores que possuam um convite. 

Conversas secretas

As já mencionadas conversas secretas são a opção na qual você pode trocar mensagens com um contato usando criptografia de ponta a ponta. Mas essa não é sua única vantagem: conversas secretas também não admitem que o usuário encaminhe mensagens ou tire print da tela. Por óbvio, alguém poderia tirar uma foto da tela com outro dispositivo, mas isso também é desencorajado por outro recurso especial: os timers de autodestruição.

Timers de autodestruição

Se você não quiser que suas mensagens nas conversas secretas fiquem disponíveis para sempre, o Telegram permite a você definir um timer de autodestruição para excluí-las permanentemente. Com a função, depois que uma mensagem é recebida, ela permanece na conversa apenas por um tempo predeterminado – e as escolhas vão desde 1 segundo até mesmo uma semana. Importante ressaltar que você tem de estar muito preocupado com sua privacidade para querer usar a função, afinal nela você nunca vai ter nenhum registro de conversa – o que pode ser bastante inconveniente. Mas, seja como for, é um recurso interessante que o Facebook, WhatsApp e WeChat não possuem. 

Exclusão global de mensagens

Este ano, o Telegram implementou a opção de excluir mensagens enviadas por outros usuários. O recurso é, decerto, um pouco controverso. Ninguém quer, afinal, ter suas mensagens apagadas por outra pessoa. Mas dependendo das circunstâncias, pode ser uma boa pedida para você ter mais controle sobre as suas comunicações online.

Limite generoso do tamanho de arquivos

Se você quiser enviar arquivos grandes, o Telegram tem um limite muito superior ao de seus concorrentes, permitindo o envio de arquivos de até 1.5 GB – enquanto os limites do WhatsApp (100 MB), WeChat (100 MB) e Skype (300 MB) são bem mais modestos.

Customizações

O Telegram traz muitas opções de customização que estão ausentes em seus concorrentes, como a opção de mudar a cor dominante do aplicativo ou a forma como ele abre links. A plataforma também traz uma integração de chatbot, que você pode usar para melhorar sua experiência.

Quais são os contras do Telegram?

Videochamada

Ao contrário de vários dos seus concorrentes, o Telegram não suporta videochamadas. Consequentemente, videochamadas em grupo também não estão disponíveis, o que deixa o aplicativo em desvantagem frente a plataformas como o WhatsApp, Skype e Messenger do Facebook. Mas como nem todo mundo usa desse recurso, talvez não seja uma falha tão grave assim.

Anúncio de novos usuários 

Um inconveniente incompreensível do Telegram é que, a menos que seus contatos tenham expressamente desativado esta opção, eles serão notificados quando você criar uma conta na plataforma. O aplicativo nem avisa que vai mandar um alerta para todos os seus contatos assim que você se cadastrar, e isso é um embargo e tanto para aqueles que decidiram usar o Telegram justamente para não chamar muita atenção.

Stories e status

O Telegram não possui a função de stories (ou status) que permite ao usuário postar imagens ou vídeos curtos sem ter de enviar uma mensagem para nenhum contato em específico. Isso pode incomodar alguns, mas, verdade seja dita, a maioria das pessoas não se importa com esse recurso. 

Usuários

Possivelmente a maior desvantagem do Telegram é a sua popularidade. Apesar de possuir centenas de milhões de fãs, a plataforma ainda está bem atrás do WhatsApp, Messenger do Facebook e WeChat no que tange à quantidade de usuários.

Se você está no ocidente e conheceu um novo contato, muito provavelmente ele vai preferir usar o WhatsApp ao Telegram. Popularidade é uma questão complicada, e nessa batalha o Telegram está, infelizmente, em desvantagem. 

Eu devo usar o Telegram?

A “privacidade” por si só não é um recurso muito atrativo para se vender num serviço online. Isso porque ela pode, por vezes, ser bastante nebulosa – afinal, nem sempre podemos entender o que ela representa, e é somente quando ela é violada que percebemos o seu real valor. Por isso, a maior vantagem do Telegram é bem específica para determinado público.

Se você é um sujeito particularmente reservado e se encontra estarrecido com as últimas notícias tratando de casos de violação de privacidade, decerto você deveria considerar o uso do Telegram com a função das conversas secretas ativada. Ao fazê-lo, você terá a mesma experiência geral que em qualquer outro grande aplicativo de troca de mensagens, mas com muito mais tranquilidade.

Proteja sua privacidade digital (e da sua família também)

Se você está preocupado com sua privacidade e segurança digital, talvez seja uma boa ideia adicionar uma VPN aos seus dispositivos.

Os sites que você visita, os provedores de internet e todo mundo conectado à sua rede podem ver seu histórico de navegação por meio da identidade virtual do seu computador (o endereço IP). O chamado “modo anônimo” não chega nem perto de proteger você desse tipo de bisbilhotagem – em verdade, esse recurso não mantém nada “anônimo” fora do seu computador.

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Uma Rede Privada Virtual (VPN), por outro lado, pode efetivamente oferecer um grau de anonimato, pois mascara o endereço IP do seu computador, só permitindo que o provedor da VPN tenha acesso a ele. Com ela, você tem um túnel secreto entre seu celular ou computador e a internet, impedindo que as outras pessoas tenham acesso à sua navegação. Elas verão apenas o endereço da VPN, não o seu IP real. 

Depois de se conectar a um serviço de VPN e habilitá-lo em seus dispositivos, o seu tráfego estará protegido. Note, contudo, que ainda será tecnicamente possível ao seu provedor de VPN espiar ou registrar sua atividade na internet. É por isso que você deve ter confiança no provedor que usa.

E como escolher entre os vários provedores existentes por aí? Aqui estão alguns fatores importantes a considerar:

  • Privacidade. A primeira coisa a se verificar é qual o destino dos seus dados pessoais. Recomendamos que você procure por provedores que não coletem ou compartilhem seus dados de forma alguma. Para conferir isso, basta dedicar um tempinho à leitura da política de privacidade do serviço que você quer contratar.

  • Custo. Existem alguns serviços gratuitos, mas, com eles, você pode acabar pagando com seus dados pessoais. Então, a melhor escolha é você encontrar uma versão paga que caiba no seu orçamento. 

  • Velocidade. Os provedores de VPN às vezes publicam a velocidade de conexão oferecida por eles, mas o melhor modo de evitar uma VPN lenta é se cadastrar para um período de teste e verificar sua velocidade da conexão antes e depois de habilitar o serviço.

  • Localização. Você pode preferir VPNs que sejam de determinadas localidades para poder ter acesso a conteúdos que são locais, então verifique no site dos provedores onde estão os servidores oferecidos. Em muitos casos, você poderá escolher o país do servidor a que irá se conectar.

 
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Contras

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  • Aceita Boleto, PagSeguro
  • Até 6 conexões simultâneas
  • Servidores: 4500+ | Países: 62+
  • Política de zero registros
  • Dupla criptografia
  • Transferência ilimitada de dados

Contras

  • Aplicativos NÃO estão disponíveis em Português. Disponível em inglês
  • O suporte por email pode ser lento
 

Existem centenas de provedores de VPN para você escolher, então para ter uma orientação melhor, você pode dar uma olhada nessa tabela comparativa das Melhores VPNs

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