As melhores VPNs para se usar na China

Ao viajar para a China, muitos turistas são pegos de surpresa quando tentam acessar a internet e percebem que vários de seus sites favoritos (como o Facebook) estão indisponíveis. Felizmente, para tudo existe um jeito – e, nesse caso, o jeito é bem fácil: basta usar de uma boa VPN.

E se você quiser pular para a parte boa, a nossa escolha de VPN se resume a dois provedores: o Express VPN e o NordVPN.

O Grande Firewall da China

O Grande Firewall da China

Para quem não sabe, o responsável por essas limitações na China é o Projeto Escudo Dourado (também conhecido como “O Grande Firewall da China”, em clara referência à famosa muralha do país), uma política de censura e vigilância que objetiva bloquear o acesso a informações e dados considerados inadequados pelo governo chinês.

Por causa desse muro virtual, diversos dos sites mais populares do globo, como Facebook, Google, Instagram e YouTube, têm acesso negado em todo o território regido por Pequim.

Parte da justificativa para isso, de acordo com a administração chinesa, é que a medida protegeria a economia do país - o que, de fato, parece estar dando certo. Com o bloqueio das concorrentes ocidentais, inúmeras companhias chinesas ganharam espaço no mercado e se tornaram gigantes em escala mundial. Destaques disso são empresas como Tencent, Baidu e Taobao, as quais marcam presença no ranking da Alexa entre os 10 sites mais acessados do mundo.

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Mas, se por um lado o projeto ocasionou o crescimento da economia no país, por outro, foi responsável também por muita dor de cabeça – principalmente aos turistas desavisados.

Não é difícil imaginar, pois, o sentimento dos viajantes que se viram impossibilitados tanto de compartilhar as fotos de suas férias quanto de trocar mensagens instantâneas com seus amigos pelo Facebook

Como o bloqueio funciona

No entanto, nem tudo está perdido. Há, afinal, diversos meios de se burlar o sistema chinês, bastando para isso que se tenha o mínimo conhecimento sobre o seu funcionamento.

Em linhas gerais, os provedores de internet na China são licenciados e controlados pelo Ministério da Indústria e da Tecnologia da Informação, o que quer dizer, na prática, que todo o conteúdo virtual que entra e sai do país é constantemente monitorado pelo governo. Com esses dados em mãos, as autoridades, então, adotam várias estratégias para bloquear o acesso às páginas consideradas inapropriadas. Entre essas táticas de censura, temos:

  • Envenenamento de DNS: quando você tenta se conectar a um site, como o Twitter, seu computador contata o servidor DNS da página e solicita o endereço IP associado a ela. Caso você receba uma resposta inválida desse servidor, você não consegue localizar o site na rede e, portanto, fica impedido de se conectar a ele. Tendo isso em mente, a China começou a envenenar seus próprios cachês de DNS, dando endereços errados para os sites bloqueados, tornando-os, assim, inacessíveis em seu território.

  • Bloqueio de acesso ao IP: outra técnica do Grande Firewall da China é bloquear o acesso a certos endereços IP. Isso evita que os usuários consigam acessar os servidores dos sites bloqueados, não importando se eles tentem conexão direta por meio de certo IP ou de um servidor DNS não oficial que não tenha sido envenenado pelo governo. Essa tática também bloqueia outros sites que eventualmente estejam localizados no seu endereço (caso comum quando eles compartilham um mesmo host).

  • Análise e filtragem de URLs: o firewall pode escanear as URLs e bloquear as conexões que tiverem palavras-chaves específicas. É o caso, segundo o Website Pulse, da Wikipédia, que embora não esteja bloqueada na China, tem várias de suas páginas (a exemplo da que discorre sobre a censura da internet no país) inacessíveis, pois suas URLs trazem em si palavras controversas (como no caso citado “censura”).

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  • Inspeção e filtragem de Pacotes de Dados: a “inspeção profunda de pacotes de dados” pode ser usada para examinar dados sem criptografia em busca de conteúdos considerados inapropriados. Em outras palavras, caso você faça uma pesquisa no Baidu usando palavras-chaves politicamente controversas, você não obterá nenhum resultado, já que os dados referentes à sua busca serão previamente examinados e, por óbvio, bloqueados.

  • Redefinindo conexões: há indícios de que, depois de bloquear os pacotes de dados entre dois computadores, o Grande Firewall bloqueia também, por algum tempo, a comunicação entre eles. O muro virtual faz isso ao enviar para ambos um “pacote de dados de redefinição”, criando a ilusão de que a conexão entre eles foi redefinida e, portanto, a comunicação se tornou impossível.

  • Bloqueio de VPNs: desde o final de 2012, o Grande Firewall vem tentando bloquear o uso de VPNs. A técnica usada consiste basicamente em observar os padrões dessas redes encriptadas e dar cabo nelas o quanto antes. Como resposta, as empresas fornecedoras de VPNs veem desenvolvendo novos métodos capazes de disfarçar seu tráfego e evitar, assim, o bloqueio. Então, apesar das tentativas chinesas de derrubar seu uso, as VPNs ainda são o meio mais viável de burlar o firewall.

Burlando o muro

Em resumo, caso você vá à China e queira se manter conectado (afinal, quem não quer?), a sua melhor saída é fazer uso de uma boa VPN. Pensando nisso, nós testamos os mais diversos fornecedores desse serviço e selecionamos aqueles que, de fato, funcionam no país de Xi Jinping. 

Observe que nossas recomendações têm fundamento empírico, isto é, são baseadas em nossas próprias experiências. Nossa equipe viaja com grande frequência para a China e testa, todos os anos, cada um desses programas para ter certeza de que eles são funcionais. Isso é necessário porque, como era de se esperar, o firewall chinês é constantemente atualizado e, com o passar do tempo, uma enorme porcentagem das VPNs disponíveis se torna inútil.

Muitas avaliações que você encontra pela internet já estão há muito desatualizadas – isso quando não foram escritas por pessoas que nunca nem mesmo pisaram no solo chinês. Então fique atento à data de publicação dos artigos e à especialidade do site onde eles se encontram.

Nós testamos TODOS os provedores de VPN listados em nosso site, usando para isso tanto conexões de redes móveis e Wi-Fi quanto redes de fibra óptica. Por fim, demos preferência àqueles com melhor desempenho no tocante a fiabilidade e velocidade.

Bons provedores de VPN, assim, foram aqueles com vários servidores em locais como Hong Kong, Japão, Taiwan e Estados Unidos, bem como aqueles com servidores ofuscados, que são responsáveis por disfarçar os dados da VPN como se fossem tráfego normal HTTPS, evitando, deste modo, o bloqueio da rede.

Recomendações de VPN para China

Após análise exaustiva dos serviços de VPN, concluímos que apenas dois deles atendiam aos nossos requisitos mínimos. São eles o Express VPN e o NordVPN.

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#1 - Express VPN

A grande vantagem do Express VPN é sua conexão confiável e veloz. Ele é ideal para empresários que têm de viajar muito ou pessoas que trabalham de forma remota. O serviço requer assinatura premium, mas o custo vale a pena.

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#2 - Nord VPN

O NordVPN também oferece um serviço de qualidade, com velocidade e estabilidade de conexão invejáveis. Suas únicas inconveniências são a necessidade de algum manejo com suas configurações e sua limitação a dispositivos Android, Windows, Linux e MacOS (na versão OpenVPN).

Além disso, ambos os programas apresentam as configurações “recomendadas”, as quais indicam os melhores servidores disponíveis para acesso no território chinês.


5 coisas para saber antes de viajar para a China

1. Compre e instale uma VPN antes de chegar lá. O acesso à Play Store é bloqueado, e a Apple Store não lista aplicativos de VPN no país.

2. Adquira um bom plano de dados móveis – e não economize. Se você comprar um plano mais econômico, sua velocidade de conexão certamente será mais baixa. Redes Wi-Fi de residências ou espaços públicos podem ser boas para sites não bloqueados, mas quando você acionar uma conexão VPN, a velocidade vai cair de forma considerável. Isso sem mencionar que VPNs costumam gastar de 30 a 40% mais dados que conexões regulares.

3. Não confie tanto no Google Maps. Fique alerta; embora você tenha acesso a um panorama geral de ruas e estações, os dados apresentados não são muito precisos. Isso porque não há nenhuma forma de feedback dos usuários para a manutenção do programa dentro da China.

4. Use o WeChat. Esse aplicativo é a rede social mais popular no país e funciona maravilhosamente bem por lá. Uma de suas funções mais interessantes é a fácil tradução das mensagens dentro do próprio aplicativo. Importante notar que, por não permitir comunicação encriptada, ele pode ficar indisponível caso você use uma VPN.

5. Aprecie a vista. A China é um país lindo, com uma cultura riquíssima, cheia de cores, sons e sabores. Lá, como em nenhum lugar do mundo, você poderá se deslumbrar com a harmonia da convivência entre o passado e o futuro. Aproveite sua estada. A experiência, nós garantimos, será única.